A Adobe utiliza a inteligência artificial (IA) no Photoshop para agilizar o processo de edição/ montagem de imagens. Deste modo, deu-se a união do produto de IA Generativo, o Adobe Firefly, ao software de edição de imagens mais conhecido do mundo. Foi disponibilizado aos utilizadores Adobe uma versão beta do Photoshop, onde podemos utilizar e explorar esta nova ferramenta, o “Generative Fill”.

Esta nova ferramenta surgiu há pouco e já suscita muitas opiniões no mercado. Assim, como o tão conhecido filme protagonizado por Clint Eastwood, “O bom, o mau e o vilão”, vamos explorar o que podemos ter do “Generative Fill”.

IA no Photoshop – O BOM

Trata-se de uma ferramenta user friendly e muito intuitiva. Permite que modifiquemos partes de uma imagem quase automaticamente e com grande qualidade, de modo a remover/ adicionar objetos, expandir e trocar fundos.

Como fazer?

É muito simples:

  • basta selecionarmos a área da foto que pretendemos substituir ou apagar;
  • escrever na textbox o que pretendemos colocar no seu lugar (quanto mais específicos e detalhados nas instruções, melhor o resultado);
  • e voilá!
  • temos ainda três opções adicionais de escolha de imagem que pretendemos que fique aplicada.

Aceder a tutorial da Adobe aqui.

E como se processa?

O Photoshop envia a informação ao Adobe IA em 3 partes para ser processado: o texto que queremos, a área que selecionamos e a restante imagem, pois esta deve integrar na perfeição com a nova montagem. Tornando difícil a distinção entre o verdadeiro e o falso, uma vez que o “Generative Fill” combina no imediato a perspectiva, luz e estilo da imagem a aplicar.

Quado - A Persistência da Memória, de Salvador Dali  
Paint - The Persistence of Memory of Salvador Dali
Quadro “A Persistência da Memória”, de Salvador Dalí
Monalisa - Photoshop AI
“Mona Lisa”, Pintura de Leonardo da Vinci

Trata-se de uma ferramenta que vem agilizar sobretudo o processo de trabalho que até então poderia demorar horas a executar na perfeição.

IA no Photoshop – O MAU

Temos alguns pontos a ter em atenção na utilização desta ferramenta, pois foi criada para responder à forma da seleção. Ou seja, se quiser adicionar uma barba, por exemplo, tenho de dar a forma aproximada que pretendo na área da foto.

Caso não o façamos, irá ocorrer uma substituição de toda área demarcada. Concluindo, temos como resultado final o que não pretendemos, mas dando azo a montagens engraçadas e fora do contexto. 😁

Outra das situações que podemos ter com esta ferramenta é a possibilidade de tirar a marca d’água de imagens com direitos autorais. Isto pode levar à criação e utilização de conteúdo não autorizado.

No entanto, a Adobe tem algumas soluções para este tipo de questões, uma delas passa pela limitação do “Generative Fill” ficar restrito ao preenchimento de uma área máxima de 1024x1024px.

Outra solução que será posta em prática assim que o Photoshop sair da versão beta, passará por atribuir credenciais aos ficheiros indicando que os mesmos foram alterados com recurso a IA.

Foram levantadas questões relativamente à utilização dos direitos de imagem para a IA. De forma a evitar constrangimentos a Adobe treinou o Firefly em 100m imagens da Adobe Stock Library, assim como imagens do domínio público cujos direitos expiraram.

Devemos ter em conta que se trata de uma ferramenta ainda em testes. Neste momento só está disponível no mercado na versão em inglês e ainda com alguns constrangimentos relativamente a determinadas aplicações, essencialmente se pretendermos adicionar pessoas nas fotos ou na indicação textual podendo nem sempre ir “buscar” o mais acertado.

IA no Photoshop – O VILÃO

A Adobe considera o Firefly mais como o “co-piloto” do designer gráfico do que o seu substituto, isto porque têm surgido receios no mercado da possível perda de trabalho por parte de profissionais da área.

O intuito da criação desta ferramenta segundo a Adobe é sobretudo acelerar e facilitar o processo de edição de imagens para com os profissionais.

Contudo, esta ferramenta irá auxiliar utilizadores sem skills a fazer manipulação de imagens com poucos cliques e de forma quase imperceptível, o que levará a uma fuga do mercado do pequeno consumidor face aos profissionais.

O “do it yourself” vem receber mais um empurrão do mercado digital, levando a que as pessoas cada vez menos recorram a profissionais para executar determinadas tarefas relacionadas com design de comunicação.

É sempre importante realçar que tendo as ferramentas disponíveis não é de todo o mesmo que obter a ajuda de um profissional credenciado na área criativa.

Outro fator que vem ser o vilão desta história é a facilidade com que podemos vir a ter cada vez mais imagens falsas com teor político a circular. As restrições que estão a ser planeadas pela Adobe poderão não ser suficientes num mundo cada vez mais bombardeado de informações falsas.

Bibliografia

Washington Post

NY Times

KelbyOne

CBS News

The Guardian

Adobe